Chuvas na Antártica estão modelando a vida no continente, diz pesquisadora

Chuvas na Antártica estão modelando a vida no continente, diz pesquisadora

Tempo de leitura: 3 minutos

“A Península Antártica já está passando por mudanças rápidas. Se o aquecimento global chegar a 2°C ou 3°C neste século, o clima extremo, as chuvas e o derretimento da superfície se intensificarão. Os danos aos ecossistemas, infraestruturas, geleiras e locais históricos podem ser graves e potencialmente irreversíveis. A chuva, outrora uma raridade na Antártica, está se tornando uma força capaz de remodelar a vida na península.”

Cientistas afirmam que ocorrências de chuva na Antártica impacta diretamente na bioesfera regional. No artigo divulgado por pesquisadores da Newcastle University, a onda intensa de calor que atinge o mundo inteiro contribuiu para o aumento de precipitação na região e pode mudar o caráter glacial.

A Península Antártica, próxima à América do Sul, é a zona mais afetada. Apesar de ser a parte mais quente da Antártica, o ritmo do aquecimento está mais rápido do que o resto do continente, além de superar o calor médio global.

A partir disso, os cientistas descobriram que à medida que a Península fica mais quente, o nível de chuvas aumenta. E se a temperatura acima do 0ºC se torna comum no continente, a frequência de volume pluviométrico pode mudar totalmente a face da região norte.

A professora de Glaciologia na Newscastle University e líder do grupo de pesquisas, Bethan Davies, explicou que os rios atmosféricos, que são corredores de ar quente e úmido, também estão aderindo ao clima antártico, o que corresponde ao derretimento da superfície de gelo. “Esses eventos estão ocorrendo com mais frequência, trazendo chuva e derretimento para regiões onde nenhum dos dois havia sido observado antes.”

As consequências das chuvas no gelo

Todas vez que chove, o calor é trazido e derrete a neve, que é uma espécie de proteção para os gelos. Por isso, quando ela é retirada, a base glacial é “lubrificada” e se desliza com o gelo. Isso aumenta o desprendimento de icebergs e aumenta a taxa de perda de massa glacial para o oceano.

A perda do gelo marinho facilita a quebra das extremidades da geleira que se transformam em icebergs. Isso significa menos habitat para algas e para o crustáceo krill, além de reduzir as áreas de reprodução para animais típicos dessa região, como pinguins e focas.

Impacto negativo aos animais

Com a perda de áreas glaciais, os pinguins, que evoluíram em um deserto polar e não possuem penas à prova d’água, ao entrar em contato com as chuvas, podem ter hipotermia ou, em casos mais graves, morrer. Esse também é o caso de outros invertebrados e moluscos.

Além disso, se há a diminuição de krill e outros alimentos ou animais aquáticos, determinadas espécies de pinguins, como Adélie e chinstrap, que são menos adaptáveis que pinguins gentoo, podem ser substituídas.

As algas dessa região também podem escurecer a superfície da neve, aumentar a absorção do calor do sol e acelerar os derretimentos.

Além da classe animal, para a comunidade humana que mora no continente e as eventuais construções as quais se abrigam podem sofrer com a água do de gelo e precisar de manutenção frequentemente.

Foto: Jason Edwards / Getty Images / Fonte: CNN Brasil

OVertice Portal

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *