Tempestade inesperada prende 200 pessoas no Monte Everest

Tempestade inesperada prende 200 pessoas no Monte Everest

Tempo de leitura: 3 minutos

Neve demais até para o Everest

Quem sobe o Monte Everest sabe que frio e ventos fortes fazem parte do pacote. Mas, neste começo de outubro, o clima resolveu exagerar. Uma tempestade de neve fora de época surpreendeu centenas de turistas e trekkers que estavam na região durante o feriado da Golden Week, na China.

De acordo com as autoridades chinesas, cerca de 350 pessoas conseguiram descer com segurança, mas outras 200 ainda ficaram presas no lado tibetano da montanha. A operação de resgate mobilizou equipes locais e centenas de voluntários.

“Parecia o fim do mundo branco”

O temporal começou na noite de sexta-feira, 3, e seguiu até sábado. Segundo relatos, os ventos e a neve foram tão intensos que cobriram as barracas quase por completo. Um dos viajantes, Dong Shuchang, escreveu em uma rede social:

“Foi o clima mais extremo que já enfrentei. Uma tempestade violenta na encosta leste, parecia o fim do mundo branco”.

Outro participante contou que acordou no meio da noite e percebeu que a neve já cobria o topo da barraca. “Senti medo real de ser enterrado vivo”, afirmou. Os grupos decidiram descer no domingo, quando o tempo piorou ainda mais.

Montanha congelada, coração acelerado

Durante a descida, muitos encontraram moradores locais tentando subir para procurar familiares. Um dos guias relatou que o próprio pai subiu a montanha para procurá-lo, enquanto a vila no vale ficava sem energia e sem comunicação.

Os trekkers enfrentaram trilhas escorregadias, neve até a cintura e, acredite, iaques perdidos no meio do caminho. Alguns foram derrubados pelos animais assustados, mas, felizmente, ninguém se feriu gravemente. As imagens que circularam nas redes mostravam um verdadeiro cenário de caos gelado, barracas soterradas e filas de pessoas tentando descer com a ajuda de cordas.

Outubro atípico no teto do mundo

Tradicionalmente, outubro é um mês de clima claro e relativamente ameno no Himalaia. É justamente por isso que tantos turistas escolhem essa época para visitar a Área Cênica do Everest. Mas, segundo o guia Chen Geshuang, o tempo mudou “de forma repentina e sem precedentes”.

Em todos os meus anos, nunca vi algo assim em outubro”, relatou Chen à imprensa local. A autoridade de turismo suspendeu o acesso à área desde sábado, enquanto os resgates continuam.

Resgates e esperança

Até o domingo à tarde, a imprensa estatal chinesa confirmou que cerca de 350 pessoas chegaram em segurança à cidade de Qudang, a 48 quilômetros do campo base. Outras 200 ainda estavam em pontos de difícil acesso, mas todas haviam sido localizadas. Centenas de socorristas trabalham para limpar os caminhos bloqueados e garantir que todos possam descer com segurança.

Enquanto isso, no Nepal…

O clima extremo não ficou restrito ao lado tibetano. No Nepal, chuvas intensas causaram deslizamentos de terra e inundações repentinas, bloqueando estradas e destruindo pontes. Pelo menos 47 pessoas morreram desde sexta-feira, segundo autoridades locais. Uma lembrança dura de que, na região do Himalaia, o tempo pode mudar e a vida junto com ele em questão de minutos.

Um lembrete vindo do topo do mundo

Mesmo com toda a tecnologia e previsões climáticas, o Everest segue lembrando a humanidade de que a natureza ainda dá as cartas. O episódio reacende o alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas na Ásia, já que eventos extremos vêm se tornando cada vez mais frequentes.

Mas, se há algo que os resgates mostraram, é que a solidariedade também é capaz de atravessar o gelo. Como disse um dos guias:

“A montanha é fria, mas o coração das pessoas ainda é quente”.

Fonte: Fatos Desconhecidos / Foto: Jason Maehl/Getty Images

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