Beijo pode ter surgido há 21,5 milhões de anos entre primatas; entenda

Beijo pode ter surgido há 21,5 milhões de anos entre primatas; entenda

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No Valentine´s Days (Dia dos Namorados), comemorado tradicionalmente em 14 fevereiro, o beijo costuma ser celebrado como um gesto de afeto e carinho. A ciência, por sua vez, traz evidências comparativas em primatas que indicam que o ato pode ter surgido há pelo menos 21,5 milhões de anos.

A discussão foi apresentada em um episódio do podcast Science Quickly, da Scientific American, conduzido pela jornalista americana Kendra Pierre-Louis.

Para debater o tema, foi convidada a bióloga evolucionista Matilda Brindle, da University of Oxford, que pesquisa a origem e as funções sociais de comportamentos sexuais e afiliativos em primatas, incluindo o beijo.

Evidências entre primatas

Segundo a especialista, o beijo foi documentado em cerca de 168 culturas diferentes apenas, e dessas, somente 46% tinham esse tipo de beijo romântico ou sexual. Ela conta que, como pesquisadora, já sabia que, em alguns momentos, primatas também se beijavam.

Para fins científicos, o beijo é definido como uma interação não agressiva, com contato boca-a-boca entre a mesma espécie e sem troca de alimento. A precisão da definição é necessária para distinguir o gesto de práticas como a pré-mastigação, comum em algumas espécies, na qual adultos transferem comida aos filhotes e pode soar como um beijo.

Ao pesquisar a fundo, Brindle observou que todos os grandes símios — com exceção de uma espécie de gorila — apresentam algum tipo de contato labial que se enquadra nessa definição. Há ainda registros semelhantes de beijos em alguns macacos e babuínos.

De acordo com a pesquisadora, o ancestral comum desses primatas provavelmente já exibia o gesto, o que possibilita crer que eles apenas reproduziam o ato, sustentando a estimativa de uma origem que remonta a dezenas de milhões de anos.

Hipóteses para a função do beijo

No caso humano, a ciência trabalha com ao menos duas hipóteses principais para o beijo romântico ou sexual.

A primeira é a de avaliação de parceiro: o contato próximo permitiria a percepção de sinais químicos e biológicos associados à compatibilidade, algo relevante em espécies nas quais a reprodução envolve custos elevados, como gestação e cuidado prolongado da prole.

A segunda hipótese é a de excitação pré-copulatória (preliminares). O beijo funcionaria como um meio de preparação fisiológica para a cópula, aumentando a probabilidade de sucesso reprodutivo. Em termos simplificados, a excitação altera condições corporais que favorecem a fertilização, o que dá ao gesto um papel funcional além do simbolismo cultural.

Há ainda usos não românticos do beijo. Em humanos e outros primatas, o contato labial aparece em contextos de afiliação, como interações entre pais e filhos, e em processos de reconciliação após conflitos, ajudando a reduzir tensões sociais e a reforçar vínculos dentro do grupo.

Como exemplo desta linha de pesquisa, Brindle fala sobre os chimpanzés, que são classificados como seres mais agressivos, mas que se beijam e fazem as pazes após um conflito. Para um primata, ela afirma que a aliviar a tensão social e relações é algo extremamente importante para a espécie.

Foto: Pexels / Fonte: CNN Brasil

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