Homem de 60 anos desenvolve doença rara ao seguir orientações de Chatgpt

Homem de 60 anos desenvolve doença rara ao seguir orientações de Chatgpt

Um homem de 60 anos foi internado nos EUA com bromismo, doença mais comum no início do século 20, depois de seguir as instruções da inteligência artificial para substituir o sal de cozinha (cloreto de sódio) por brometo de sódio.

O caso

Paciente foi ao pronto-socorro sozinho e disse aos médicos que achava que seu vizinho o estivesse envenenando. Mas, ao examinar o idoso, os profissionais não encontraram nada aparentemente errado com ele.

Após uma série de exames, os médicos diagnosticaram um desequilíbrio de seus eletrólitos. Estes minerais são essenciais para várias funções corporais, como regulação do equilíbrio da água no corpo, das funções dos músculos e da manutenção do pH. 

O homem não possuía histórico médico ou psiquiátrico. Mas admitiu aos médicos que fazia uma dieta vegetariana restritiva e não confiava na água do seu filtro, destilando sua própria bebida. Ele ainda indicou sentir muita sede, mas afirmou que não tomava suplementos que pudessem explicar o quadro.

Reações e sintomas

Durante as primeiras 24 horas de internação, o idoso começou a se tornar paranoico e a ter alucinações visuais e auditivas. Depois que ele tentou fugir do hospital, médicos tiveram que o restringir e ele recebeu risperidona, uma medicação para tratar psicose.

Depois de receber soro com eletrólitos e nutrientes para resolver o desequilíbrio em seu corpo, ele passou a se sentir melhor e descreveu novos sintomas. Ele disse que notou fadiga, insônia, leve dificuldades de coordenação motora, além do surgimento de acne facial e angiomas cereja (pintinhas avermelhadas causadas pelo crescimento excessivo de vasos sanguíneos) nos últimos tempos.

A doença rara

Médicos concluíram que seu caso poderia se tratar de bromismo, intoxicação do corpo pela ingestão excessiva de bromo. Eles encontraram 1.700 mg por litro da substância em seu sangue — o normal seria entre 0,9 a 7,3 mg/L. A doença é rara atualmente — casos eram comuns no final do século 19 e início do 20, quando sais de brometo eram parte da composição de medicamentos que tratavam convulsões, entre outros problemas.

Causa

Foi então que o paciente revelou que havia trocado o sal de cozinha pelo brometo de sódio há três meses por sugestão do ChatGPT. Ele havia lido que o cloreto de sódio teria efeitos negativos para a saúde e pediu à inteligência artificial uma opção de troca. O robô deu o brometo como alternativa, mas a substituição só é válida para limpeza.

Após três semanas de internação e tratamento para a desintoxicação, o homem se recuperou e pôde voltar para casa. Na sua consulta de retorno, duas semanas após deixar o hospital, médicos puderam retirar o uso da risperidona para evitar as alucinações — que eram causadas pelo bromo.

“Por isso, é importante considerar que o ChatGPT e outros sistemas de inteligência artificial podem gerar imprecisões científicas, não têm habilidade para discutir resultados e podem, em última análise, aumentar a divulgação de desinformação. Apesar de a ferramenta ter muito potencial para fazer a ponte entre cientistas e a população não-acadêmica, a IA também carrega o risco de promover informação descontextualizada” – Médicos Audrey Eichenberger, Stephen Thielke, Adam Van Buskirk, da Universidade de Washington, nos EUA

Uso de IA

Médicos ainda alertaram pacientes que o uso médico da inteligência artificial pode criar ou piorar problemas de saúde, em vez de ajudar. Isto porque o algoritmo apenas elenca informação, sem levar em consideração o quadro do paciente ou até se aquela recomendação pode ser adotada por humanos — como foi o caso do produto de limpeza consumido pelo paciente.

Fonte: Uol / Foto: Divulgação

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